Metodologia x Tecnologia

Metodologia x Tecnologia. Questionamentos e inovações para uma nova escola.

Falar em mudança e inovação é falar sobre a necessidade de sair da “zona de conforto” e, na maioria das vezes, isto causa medo, desconforto, insegurança e principalmente resistência.

Especificamente na educação a inovação está muito atrelada às questões das tecnologias, o que por sua vez não significa apenas usar uma nova ferramenta, mas principalmente descobrir qual o seu significado e com qual metodologia trabalhar.

Desta forma, além do desafio de aceitar a inovação do uso de novas ferramentas tecnológicas, de entender tecnicamente como utilizá-la, de superar a insegurança de lidar com uma nova linguagem, ainda temos o maior dos desafios que é mudar a metodologia, com a qual trabalhamos por anos a fio e que sentimos segurança por dominá-la perfeitamente.

Neste turbilhão de mudanças necessárias para poder inovar, e com isto dominarmos a linguagem dos nossos alunos, o maior dos equívocos é fazer a mera transposição do VELHO para o NOVO ou com o NOVO.

Assim, podemos mudar as ferramentas “papel e lápis” por “computador e processador de texto”, mas mantendo a mesma forma de fazer uma redação com o título imposto pela professora e descontextualizado da realidade dos alunos, ou então trocar a pesquisa realizada nos livros da biblioteca pela pesquisa na Internet, mas em ambos os casos obtendo apenas como produto um amontoado de informações que não foram tratadas e utilizadas e por conseqüência nunca se transformarão em conhecimento.

Podemos nos considerar professores “hi-tech” e trocarmos a série de exercícios com dezenas de equações matemáticas, que antes era entregue xerocopiada aos alunos e que agora é enviamos por e-mail. Em ambos os casos, os cálculos e os exercícios podem ainda não demonstrar onde e como serão utilizados de forma prática e no cotidiano.

Pior ainda é nos apaixonarmos pelas tecnologias e solicitarmos que esta mesma série de exercícios matemáticos seja resolvida em papel e depois digitada no Word para ser enviada para nosso e-mail. Tentamos assim demonstrar a “modernidade” de nossas ações pedagógicas, mas sem perceber o “efeito complicador técnico” que causamos aos alunos, que gastarão 20 minutos para resolver a série e 2 horas para digitá-la no Word.

Como é possível perceber, não é a ferramenta tecnológica sozinha que irá resolver as questões da aprendizagem, mas sim o que e como trabalhamos com ela, pois se a metodologia não for alterada não há milagre tecnológico que possa dar conta de todos os problemas educacionais.

Inovar tecnologicamente em educação não é apenas colocar computador em sala de aula ou dar acesso a Internet a todos os alunos, mas sim romper com metodologias anacrônicas que se antes passavam quase despercebidas no contexto escolar, vão se potencializar (negativamente) ainda mais quando aplicadas sobre e com as novas tecnologias.

Por trás do manto do desconhecimento das TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) e da insegurança em trabalhar com ferramentas técnicas, podemos estar escondendo nosso maior medo que é inovar a nossa metodologia de trabalho pedagógico, de mudar a forma livresca de ministrar uma aula expositiva e de aceitar que a linguagem tecnológica é de domínio dos nossos alunos e que podemos também aprender com eles.

Na realidade, precisamos ficar atentos para entender algumas afirmações tão constantes em educação para fazer a contraposição com as atitudes do cotidiano dos nossos alunos, como por exemplo:

– Os alunos não conseguem ficar concentrados nas aulas, são irrequietos e agitados. Em paralelo notamos que quando estão conectados na Internet ficam totalmente concentrados e atentos a todas as telas que estão abertas no computador.

– Os alunos não gostam de matemática e não sabem trabalhar com a lógica. Em paralelo notamos que ficam horas jogando na Internet e que possuem uma lógica fantástica para desvendar todas as passagens das etapas destes jogos.

– Os alunos não gostam de escrever. Em paralelo verificamos que eles passam boa parte do dia conversando (digitando – escrevendo) no WhatsApp.

– Fora da sala de aula, em casa os alunos não fazem nada e não gostam de fazer tarefas. Em paralelo notamos que diariamente eles atualizam suas páginas do Facebook, Blog e Twitter.

Estas novas linguagens e ferramentas são incontestavelmente do domínio dos nossos alunos, que agem de forma comportamental totalmente diferente quando estão em sala de aula, portanto como e onde elas podem ser incorporadas na escola para aproveitar o mesmo interesse?

Esta parece ser uma questão complexa, pois certamente precisamos analisar com quais NOVAS metodologias precisamos trabalhar com estas NOVAS tecnologias usuais de nossos alunos, mas certamente o resultado promete ser bem profícuo, pois certamente inovaremos nossas formas e trajetórias pedagógicas para caminharmos por uma estrada que é de domínio dos nossos alunos.

Certamente teremos que sair de nossa “zona de conforto” e motivados pelo encantamento, paixão e prazer de educar, encontraremos os novos caminhos metodológicos e os novos horizontes para inovação da escola.

Prof. Dr. Nilbo Nogueira

Blog: www.nilbonogueira.com.br

e-mail: nilbo@nilbonogueira.com.br

 

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