Projeto de Ensino e Projeto de Aprendizagem.

projeto de ensino e projeto de aprendizagem
PROJETO DE ENSINO E PROJETO DE APRENDIZAGEM.QUAL A DIFERENÇA?

“Quando os pais têm um projeto, os filhos têm um destino”  J.P.Sartre

O termo projeto tem sido muito utilizado na área educacional, porém em alguns casos, apresentado como panacéia, que tudo pode mudar ou resolver. Nesse sentido há de se esclarecer algumas duvidas conceituais, históricas , bem como as variáveis das nomenclaturas observadas.

Em primeiro lugar, o projeto não é um modismo atual, já que os primeiro trabalhos com projetos nasceram entre 1915 e 1920 com J. Dewey e W.H. Kilpatrick que utilizaram um conceito de pedagogia aberta, na qual o sujeito era ator de sua própria aprendizagem, as quais eram concretas e significativas.

Portanto, não estamos tratando de um modismo recente e, consequentemente sem historia, resultados e fundamentações.

O segundo ponto, que é o central deste texto é a questão das nomenclaturas, que não se restringem apenas ao nome em si, mas ao conceito e a práxis.

Falar em projeto como estratégia educacional, onde o aluno se constrói agindo de forma ativa é perfeito, principalmente para alunos das gerações atuais, que só aceitam o que têm significado para eles e não suportam mais a forma passiva e livresca da qual são submetidos.

Porém, de qual projeto estamos falando? Qual projeto é capaz de colocar o aluno ativo, porém na construção de significados que realmente interessam?

Destes questionamentos é preciso então diferenciar os termos Projetos de Ensino e Projeto de Aprendizagem.

Projeto de Ensino.

No projeto de ensino o principal ator é o professor, o qual determina um tema a ser trabalhado, planeja uma trajetória da sua projeção, delimita caminhos, hierarquiza conteúdos, define os problemas e centraliza os conhecimentos e informações basicamente nele próprio.

No projeto de ensino o aluno assume um papel coadjuvante, embora possa ter, em alguns casos, algum espaço para questionar, pesquisar e criar, existem limitações, pois tudo pode ser possível desde que não fuja ao controle do planejado pelo professor. Para Boutinet (2002):

“Com efeito, um projeto qualquer, definido fora dos alunos, confiscado para seus próprios fins por um grupo de agentes administrativos, ou de professores, engendrará nos alunos reflexos tradicionais de passividade, até mesmo de rejeição.”

O projeto de ensino é utilizado, normalmente, para tratar de assuntos mais conceituais da programação disciplinar e dos conteúdos acadêmicos, ou então, nos casos mais abertos, de mesclas de conteúdos a serem cumpridos com pequenas aberturas para que os alunos introduzam alguns dos seus interesses, desde que não fujam demasiadamente da temática designada.

Projeto de ensino e projeto de aprendizagem

Os projetos de ensino também podem ser presenciados em situações em que os alunos demonstraram interesses sobre determinadas temáticas (e nesse caso não necessariamente ligadas aos conteúdos acadêmicos) porém, sem fugir a regra de que será o professor o protagonista da condução do ensino, ou seja, é ele quem planeja o projeto do qual os alunos vão participar.

Novamente podemos cair na variante da nomenclatura e chamar o projeto de ensino de estratégia ou abordagem para ministrar a aula, desde que não perca o foco de que é o professor que fez toda uma projeção para ensinar algo aos alunos.

Projetos de Aprendizagem.

Do outro lado temos o projeto de aprendizagem, onde o tema e o planejamento não é programado apenas pelo professor, mas também pelos alunos.

Nesse casso, o projeto nasce de interesses, necessidades, questionamentos e problemas trazidos pelos alunos e, juntamente com o professor, vão planejar os caminhos dessa projeção.

Projeto de ensino e projeto de aprendizagem

Bem diferente do projeto de ensino, no projeto de aprendizagem não existem certezas, não existem caminhos predeterminados e o foco do conhecimento e das informações não está apenas no professor, mas também em todo e qualquer artefato (material, pessoal, tecnológico, etc.) no qual o aluno possa buscar e pesquisar informações, e com a ajuda do professor, tratá-las de tal forma a depurar tudo aquilo que possa ser utilizado no projeto e assim oportunizar que as informações coletadas venha a se transformar em conhecimento.

Como já sabemos, no projeto o aluno poder trabalhar com procedimentos mais ativos e concretos, quebrando desta forma a sua passividade, porém o que vai diferenciar as intensidades de interações, de ruptura parcial ou total de passividade, a contextualização e os significados está diretamente ligado a escolha da estratégia em trabalhar o projeto por ensino ou por aprendizagem.

Projeto de ensino e projeto de aprendizagem

Não queremos aqui desmerecer 100% os projetos de ensino, embora reconhecendo a melhor eficiência do projeto de aprendizagem, porém entre a primeira opção (projeto de ensino) e uma aula totalmente ministrada de forma conceitual, onde os alunos permanecem absolutamente passivos, somos obrigados a optar pelo trabalho com projetos, mesmo o de ensino, onde pelo menos os alunos levantam, rompem com o enfileiramento imposto pela layout da sala e tendem a desenvolver (não autonomamente) ações e atividades procedimentais. Dos males, o menos pior!!

Bibliografia:

BOUTINET, J.P. Antropologia do Projeto. Porto Alegre: Artmed, 2002.

NOGUEIRA, N.R. Pedagogia dos Projetos: Etapas, papéis e atores. São Paulo: Érica, 2014.

 

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